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Pintosa também é gente!

Na noite da última terça-feira, dia 26, durante um jantar com alguns amigos, recebi no celular a notificação de que este que vos escreve, havia sido convidado para um evento no Facebook batizado de “Marcha das Pintosas”. Sim, isso mesmo que vocês leram: MARCHA DAS PINTOSAS. Bem, para quem não sabe, pintosa, segundo a descrição que achei no Google, significa “homossexual masculino que exibe sua condição de maneira ostensiva”. Ou seja, aquele gay que não está nem um pouco preocupado com o juízo de valor que possam fazer sobre ele e usa peças de roupas femininas, não poupa trejeitos e, geralmente, é o tipo que toda a sociedade acha engraçado, desde que ele esteja bem longe, claro.

Pois bem. Cansados desses comportamentos – onde muitas vezes só são valorizados dentro dos salões de beleza ou ateliês de costura – um grupo de jovens decidiu criar a tal marcha. No texto de descrição do evento, encontrei algo interessante: “Um preconceito desnecessário de gays que querem impor um regra ou um padrão de como ser gay”. A partir daí, percebi que havia uma resistência e comecei a pesquisar como estava sendo a repercussão do assunto nas redes sociais. Para a minha surpresa – ou não – o evento não estava sendo tão bem aceito pelos… gays. Olha que interessante!

Entre a série de justificativas de gays não-apoiadores da causa, estavam a existência da Parada do Orgulho LGBT  e também um possível aumento do preconceito, tendo em vista que ser pintosa é algo que pode ser interpretado como vergonhoso e uma afronta a sociedade. Que fique claro que não são palavras minhas, por favor! A partir disso, entra em debate um tema amplamente abordado nos últimos meses e anos que é a heteronormatividade. Segundo o pai dos inteligentes do século 21 – leia-se: Google –  este é um termo usado para descrever situações nas quais orientações sexuais diferentes da heterossexual são marginalizadas, ignoradas ou perseguidas por práticas sociais, crenças ou políticas. Ponto.

Ou seja, quem não possui características comportamentais de um heterossexual é vítima de preconceito. Muito já se falou sobre esse preconceito existente no próprio meio LGBT, mas apesar de todas as “campanhas”, o assunto ainda é preocupante. Se o preconceito externo já assusta, o que dirá do preconceito “dentro de casa”? É preciso que todos comecem a repensar os seus conceitos e que cada um tenha o livre direito de andar e se comportar como quiser. Isso chama-se liberdade.

“Mazieri, mas eu sou gay e não quero apoiar tal evento!”. Amor, é um direito seu também e todos devem respeitar. Porém, a partir do momento que você aponta tal iniciativa de forma degradante, você não apenas enfraquece o movimento LGBT como se mostra mais uma pessoa adepta da heteronormatividade. “Mas continuo achando isso uma palhaçada, um carnaval, um grande oba oba”. Direito seu também e deve ser respeitado.

Contra esse último argumento, aqui vai uma aula básica e rápida de história. Em 1969, em Nova York, um grupo de pintosas – sim, dessas que são julgadas pelos próprios gays – foi às ruas exigir respeito de toda uma sociedade, após um bar de nome Stonewall ter sido invadido por polícias, pois aquele lugar é frequentado por “marginalizados”. Entenderam, né?

Pois bem, de lá para cá, muita coisa mudou. Muitos grupos surgiram e muitas pintosas também. Elas, em sua grande maioria, são as responsáveis por muitos direitos conquistados até hoje. São as pintosas que assumem quem são seja de dia e de noite, exigem respeito e tratamento digno. São as pintosas que muitas vezes colocaram o mundo LGBT em pauta. Então, caros colegas, antes de julgar, de apontar o dedo e xingar, que tal rever seus conceitos? Como dizem por aí, se você não pode ajudar, não atrapalha. Não gostou? Passa reto, passa direto. Agora, toda e qualquer ação positiva e que coloque em destaque o tema, é válido e merece respeito. E sobre as pintosas, bem, pintosa também é gente!

Ah, e aos meus amigos héteros que confirmaram a presença no evento: VOCÊS ESTÃO DE PARABÉNS!

Para ter mais informações sobre a marcha, basta clicar aqui.

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