‘Não me chamem em vão’

‘Neste último domingo, dia do meu descanso, fui bastante citado durante o voto do impeachment da atual presidente do Brasil, Dilma Rousseff. Por algum motivo que ainda não compreendi, diversos políticos brasileiros – e alguns de outras nacionalidades – tendem a me chamar em momentos inoportunos. Sim, inoportunos. Não voto, não tenho título de eleitor, não tenho partido político, não me envolvo com nada que é sujo.

Muitos dos que votaram a favor do impedimento da atual presidente em meu nome, não possuem moral e muito menos honestidade. Como pode? Com que direito? Com que autorização? Não dei liberdade para ninguém votar em meu nome, contra a minha vontade. Eu sou Deus, amo todos, não faço distinção de gênero, de raça, de cor, de valor, de nada. Criei todos iguais e quero a felicidade do mundo.

Não estou na política por acreditar que não faço parte de complôs, conchavos… Isso não combina comigo. Nunca combinou. Aliás, não sei de onde vocês tiraram que eu gosto de todo este circo. Não sou parceiro somente de vocês, políticos, sou parceiro de todos seres humanos. De preferência dos bons. Daqueles que não pregam a violência, que não são torturadores, que aceitam e amam o próximo. Eu sou Deus!

Como posso optar por um partido, se eu amo todos? Como posso ser citado tantas vezes em nome de algo que nem faço parte? Não me chamem em vão. Afinal, estou tomando conta de diversos brasileiros abandonados por vocês, políticos, que gastam milhões em jantares na Europa, compram carros caros, compram casa no exterior e desviam verbas para contas ilícitas.

Inclusive fico até um pouco enjoado quando acontece esse tipo de encontro. Vocês todos reunidos me causam um pouquinho de vergonha, sabe?! Talvez seja pelo ego elevadíssimo e as mentiras que são proferidas de forma descabida. Chego a pensar em resolver as coisas do meu jeito. Talvez um grande tempestade? Vou começar a analisar isso tudo.

Não me chamem se eu não estou sendo convidado para ajudar. Enquanto vocês, pobres mortais, brincam de paladinos da justiça, eu estou nos hospitais, nos presídios, nas periferias, enxugando as lágrimas de mulheres que sofrem, dos meus filhos que possuem uma orientação sexual diferente das que vocês acreditam ser a certa. Eu sou Deus, eu amo todos os meus filhos. E acreditem, deles também será o reino dos céus. Quer vocês queiram ou não.

Portanto, façam um favor para mim, não me chamem se a situação não for importante. Não me invoquem quando a causa não é justa. Não me chamem para fazer parte desta aberração criada por vocês mesmos e que foi chamada de política.

Não me chamem para brincar. Sou muito mais ocupado do que vocês imaginam e com causas mais importantes. Governadores, prefeitos, senadores, deputados, vereados, evitem pronunciar o meu santo – sim, bem santo perto de vocês – em vão. Me respeitem. Respeitem a minha vida e, por fim, mas não menos importante, respeitem o próximo. Respeitem o país de vocês que é laico. Porque eu sei o que cada um de vocês faz durante todo santo dia’. Até.

Jornalista, aquariano, ruivo e temperamental
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    Bruno Mazieri

    Jornalista, aquariano, ruivo e temperamental

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