Um mandato a (des) serviço da população

O título acima traduz bem o meu sentimento a respeito da atuação do deputado estadual Platiny Soares (DEM), enquanto membro da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam). E esse pensamento não é de hoje, não. Surgiu a partir do momento em que ele, com sua nobre sabedoria e plenos poderes, decidiu homenagear o deputado federal Jair Bolsonaro (PP/RJ). Aliás, muitos dos amazonense só tomaram conhecimento de quem era Platiny a partir deste momento. Até então, era um mero desconhecido que conseguiu chegar a Casa Legislativa do Estado.

Pois bem. Na última semana, ele voltou a figurar os jornais locais ao apresentar o programa “Escola Sem Partido”, que salve engano existe desde 2015, e que, segundo ele, garante a “neutralidade política, ideológica e religiosa do Estado”. Ganhando assim o título de “Lei da Mordaça”.

Enfim, o fato é que neste domingo, dia 29, Platiny – sempre ele, né – decidiu declarar, em uma entrevista ao jornal “A Crítica”, que a Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Amazonas (OAB/AM) “não tem nenhuma credibilidade para emitir alguma opinião”. Sim, ele que é advogado desmereceu sua própria categoria. O que mais me espanta é que enquanto advogado e “político”, Platiny deveria saber, por obrigação, que entidades como a OAB, a Academia Brasileira de Letras (ABL), a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e tantas outras, possuem o dever de ser manifestar quando acreditam que determinadas ações, gestos, projetos e afins, vão contra a liberdade de expressão e ao retrocesso do município, estado e país.

Mas o deputado prefere “vomitar” suas meias verdades sem se importar com seus colegas, tendo em vista que a partir do momento em que ele desrespeita a OAB, ele desrespeita toda a classe dos advogados. Acredito que roupa suja se lava em casa e enquanto representante de uma Casa Legislativa, deve-se medir as palavras, gestos e atos. Afinal de contas, não é porque se é eleito que se pode falar o que quer e quando quer. Ser político é também ter o mínimo de educação e saber aceitar críticas.

O que venho percebendo também na curta trajetória do deputado, é que sua principal preocupação parece ser a conquista dos holofotes. Sim, porque vamos concordar, ainda não vi um projeto que, de fato, beneficiasse o Amazonas. Ele não foi eleito para cuidar do povo? Então, homenagear Bolsonaro é cuidar do povo? Querer cercear o direito de se debater religião, política e sexualidade não seria um retrocesso? Nunca vi, durante todo o meu tempo escolar, nenhum professor meu me forçar a pensar como ele queria. E tenho a certeza de que continua da mesma forma.

A escola e a universidade, deputado, são espaços de debate sim. São espaços onde os alunos poderão formar um pensamento, poderão pensar. Coisa que muitos e muitos dos seus colegas políticos não querem que aconteça, não é verdade? Um povo pensante é um povo livre, é um povo que tem o poder de mudar todo esse cenário político vexatório pelo qual o Brasil está passando. Pensar mete medo nos políticos, não é? Pois é para ficar com medo mesmo. O pensamento não acabará e nem sumirá. Acredite nas minhas palavras.

Agora uma bela dica enquanto membro da população: porque o senhor não gasta sua energia buscando soluções para a saúde pública e formas de ajudar o Estado a sair da crise? Isso não seria mais importante? Por que não vejo nos jornais a seguinte manchete: “Platiny na luta pela saúde”? Respondo: não é do seu interesse.

Ah,  tem outra parte da entrevista que eu adorei, presta atenção: “Na realidade eu estou falando em neutralidade para proteger também o homossexual. Porque eu proíbo o homossexual de fazer uma doutrinação de ideologia de gênero, mas eu proíbo também o heterossexual que for constranger o aluno homossexual”.

Quero saber desde quando esclarecimentos a cerca da orientação sexual de cada uma é doutrinação? O deputado não entende que a aceitação é parte essencial para uma convivência de respeito? Enquanto se evitar o assunto, inúmeras crianças e adolescentes serão vítimas de agressões e xingamentos. Suspeito que o senhor não saiba o que é isso, nunca sofreu na pele, né? Complicado conversar com que é opressor.

E para quem se diz “sem opinião” sobre a homossexualidade, sugerir que é algo patológico, é dizer que é uma doença. Tá vendo o motivo pelo qual o assunto deve ser abordado? Para evitar declarações errôneas e desastrosas como a sua. No mais, quero lhe dizer que sempre terá alguém para rebater os seus projetos grotescos e suas ações sem sentido que acabam por ser um verdadeiro (des) serviço a população do Estado do Amazonas. Até.

Jornalista, aquariano, ruivo e temperamental
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    Bruno Mazieri

    Jornalista, aquariano, ruivo e temperamental

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