Vai ter problematização sim!

Sabe, não é de hoje que venho alertando que a problematização é coisa seletiva. Sim, isso mesmo, se-le-ti-va. Por exemplo: se determinado assunto que está em destaque, começa a ser amplamente debatido, mas, de alguma forma, ele não me interessa, a primeira atitude que tenho é menosprezá-lo, transformá-lo em algo de “so menos importância” e, até mesmo, digo que ele é “mimimi”. Porém, se outro assunto, que muito me interessa, me diz respeito e que, de alguma forma me afeta, está em foco, vou lá, dou opinião e ainda exijo que os outros se manifestem. Entendeu como funciona? Pois é.

Fiz essa breve introdução pelo seguinte motivo: no último final de semana, o grande tema de debate na internet – ou pelo menos no Facebook – foi o cartaz de divulgação do filme “X-Men: Apocalipse”, no qual a personagem Mística aparece sendo enforcada pelo vilão Apocalipse (para entender melhor, basta clicar aqui). Muitos entenderam como uma incitação da violência contra a mulher. E meus amigos, quero dizer-lhes que de fato é. Aceitem!

Já assisti o filme (e por sinal adorei!) e sei que muitos e muitos e muitos outros frames poderiam ter sido usados no material de divulgação do longa. Até porque, nesta produção especificamente, a Mística atua como uma espécie de “heroína”. Então faço a seguinte pergunta: não seria mais justo mostrá-la em um momento de superioridade? Não seria mais justo usar todos os personagens envolvidos enfrentando o vilão? Não seria mais justo usar outro frame?

O fato é que inúmeros homens e mais uma grande quantidade de mulheres menosprezaram as críticas e transformaram-na em algo de “feminazi”, como muitos adoram falar. Aí que entra a tal problematização seletiva. Aquilo que não me agride, que não me choca e nem deixa constrangido, deve ser encarado como “mimimi”. Errado! Se existe reclamação, se existe alguém incomodado é porque o assunto deve sim ser encarado com a devida importância. Se, por algum motivo, ele não me interessa, minha função é apenas passar direto e não abordá-lo com toda propriedade e, ainda por cima, criticá-lo.

Achei interessante também o argumento de que “o politicamente correto é chato”. Meus amores, desde que o mundo é mundo, as pessoas estão acostumadas a usarem as minorias (negros, mulheres, loiras, LGBTs, nordestinos e afins) para transformá-las em piadas prontas e que são reproduzidas durante gerações. Aliás, nesses casos, as minorias citadas estão sempre em posição de chacota, vale destacar. Só que desde que essas mesmas pessoas que se sentem ofendidas com essas piadas decidiram falar, reclamar e exigir respeito, transformaram-se em “chatos e politicamente corretos”.

A violência contra mulher é assunto sério e as pessoas precisam parar de tratá-la como algo distante. Se você conhece a saga X-Men e é fã ótimo. Com toda certeza vai entender a peça publicitária. Mas quem é leigo no assunto, sempre vai interpretá-lo de uma maneira diferente. É complicado se colocar no lugar do outro, né? Mas tente, é um exercício diário que vai lhe fazer muito bem e vai ajudar a entender a necessidade que as pessoas possuem em reclamar quando se sentem ofendidas com algo.

Repito algo que já escrevi aqui no blog em outra oportunidade: QUEM JÁ FOI OPRIMIDO SABE O PESO DAS BRINCADEIRAS DE UM OPRESSOR. Portanto, se você não tem nada a acrescentar ao assunto, fique calado. Vá ler um livro, assistir televisão, namorar, comer uma pizza, tomar drinque, ir para a balada… Sei lá, faça algo que você goste e deixe reclamar aqueles que se sentem incomodados com assuntos que lhes dizem respeito. Vai ter problematização sim! E se reclamar vai ter muito mais. Até!

P.S.: Ah, a Fox pediu desculpas já. Dá uma olhada clicando aqui.

Jornalista, aquariano, ruivo e temperamental
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    7 comments

    1. Vejo que cada um tem um ponto de vista de diferente eu não vou tentar colocar goela abaixo de vocês que eles estão certos ou errados (que é o que parecem estar fazendo) apenas não concordo em nada disso e tem certas coisas que acho de bastante extremismo assim como tem em milhares de outras coisas.

    2. “QUEM JÁ FOI OPRIMIDO SABE O PESO DAS BRINCADEIRAS DE UM OPRESSOR. Portanto, se você não tem nada a acrescentar ao assunto, fique calado.”
      PERFEITO!!!!!! Excelente texto, Bruninho!

    3. Eu ainda não vi um filme, mas se ela atua como uma espécie de heroína como destaca, talvez não tenha sido a intenção dos produtores tentar causar uma polêmica para pensarem que homem é mais forte que a mulher e ai você assiste o filme e vê que é o contrario, ou algo do tipo?

      Uma jogada de marketing apenas, talvez?

      De qualquer maneira acho valida a discussão em tempos atuais apesar de achar que a sétima arte tem de ser livre.

      Certamente acredito que não é mimimi se incomoda alguém , respeito veementemente. Assim como respeito os que dizem que o politicamente correto é chato, as vezes é mesmo. O lance é todo mundo se respeitar e pedir desculpas no caso de ofensas, mas não acho que o cartaz deveria ser retirado.. só SE a mística morrer no filme pelas mãos do vilão, mas fiquei com medo de perguntar por spoilers hahahahahaha

      1. kikaaaaa hahahahaha fiquei bem caladinho pra não deixar spoiler comprometer o texto. todo debate é válido, sempre!

    4. Que texto legal, Bruno!

      Bom ler algo que seja ao mesmo tempo consciente e com um toque humano na hora da explicação. Equilíbrio total. Curti! Esse lance da problematização dá altos e altos discursos que muitas vezes são ricos e cheios de críticas boas, mas infelizmente, na maioria das vezes vem com argumentos baratos e sem nexo. Teu texto conseguiu ilustrar bem.
      To sempre por aqui. Beijo.

      Dave

      1. daaaaaave, fico feliz em saber que você está sempre por aqui. aliás, tem que estar mesmo. você faz parte desse projeto. beijão :*

    Comments are closed.

    Bruno Mazieri

    Jornalista, aquariano, ruivo e temperamental

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