Crise eterna de uma mente insana

Todas as vezes que estou no cinema tenho uma semi-crise de pânico. Sim, na minha mente se passam inúmeras situações que para muitos pode parecer loucura, mas não é. Ou talvez seja. Não sei. Fico imaginando para onde correr caso um incêndio decida acontecer naquele exato momento. Já pensou se um cara entra atirando? Existe espaço suficiente entre as poltronas para eu me esconder? E se eu me fizer de morto, mas o mesmo cara perceber que não estou morto e atirar? E se eu for no banheiro sozinho, naquele silêncio todo e alguém decide me assaltar? Não faço barulho quando vou no banheiro do cinema, nem respiro direito, fico paranoico e sempre volto correndo.

A bateria do meu celular está fraca. Pânico na certa! E não por causa das redes sociais, longe disso. Fico imaginando se meus pais passarem mal. Como as pessoas vão conseguir me comunicar? Logo eu, filho único – de pai e mãe, por favor! – e incomunicável? Impossível. E se eu passar mal? Como vou me comunicar com eles? E se um dos meus assessorados estiver passando por uma crise, como vou resolver tudo? Vou assinar meu atestado de incompetência mesmo não querendo. Estar no avião só não me deixa pior porque parto para os remédios.

Antes de dormir fico pensando como agir se um assalto acontecer em casa. Tranco a porta. Não posso ouvir barulho externo. Chamo pela minha mãe, pelo meu pai ou por quem quer que esteja no quarto ao lado. Tenho medo. Medo real, mesmo. E se o cara estiver armado e estourar a fechadura da porta? E se ele quiser levar tudo e mesmo assim eu reagir? Não posso reagir. Não posso reagir. Não posso reagir. Se ele quiser fazer mal a alguém? Como vou lidar com essas imagens? Logo, demoro para dormir.

Comer em lugar que não conheço é um martírio. E se eu comer algo muito gorduroso e iniciar uma crise de azia e essa crise ‘atacar’ a minha gastrite? E se eu não tiver meu remédio da gastrite por perto e a dor aumentar e eu tiver que ir para o hospital? E se no hospital alguém espirrar e eu contrair um vírus novo que ninguém sabe a cura? E se eu tiver que ficar internado nesse hospital com o vírus se espalhando por todo ele?

Não seguro em corrimão. É muita bactéria reunida. Não seguro e não deixo ninguém segura. Brigo mesmo, dou ralho. Nem todo mundo obedece e nem todo mundo entende. Quantas pessoas tossiram, espirraram, tiraram catota do nariz, foram ao banheiro, não lavaram as mãos e seguraram naquele corrimão? Eu olho para ele, ele me olha. Nos detestamos. Desculpa, mas corrimão não dá, gente! É insano corrimão.

Com o passar dos anos, tenho tentado – e até conseguido – ser mais tranquilo com relação os meus pensamentos. São muitos, vários. Nunca fiz análise, mas talvez precise. Logo eu, que sempre digo: “O primeiro passo para um doente é ele entender que é doente e buscar um tratamento”. Eu, campeão de dizer essa frase, não consigo aplicá-la no meu cotidiano. Talvez eu esteja adiando os problemas com a barriga. Talvez. A única certeza desse momento, é que o título do post daria uma boa peça de teatro. Se é que já não existe. Será que existe? Até.

PS: O título é uma leve brincadeira com o do filme ‘Brilho eterno de uma mente sem lembranças’. Só para constar mesmo, ok?

Jornalista, aquariano, ruivo e temperamental
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    Bruno Mazieri

    Jornalista, aquariano, ruivo e temperamental

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