Para hoje, amanhã e sempre: mais amor, por favor!

O Diego costuma dizer que eu sofro muito. Sofro por antecipação, sofro com os meus problemas, sofro com os problemas dos amigos e sofro com os problemas do mundo. Muitas vezes grito, choro, me penitencio. Outras vezes fico mudo, apenas olhando, observando e pensando: “O que está acontecendo?”. Não sou a pessoa mais puritana do universo, aliás, estou bem longe disso. Sei que atitudes ruins e pessoas ruins sempre existiram desde que o mundo é mundo. Porém, de uns anos para cá, tenho pensado com mais frequência nisso.

Vocês devem estar se perguntando qual o motivo dessa reflexão? E eu gostaria de responder que é apenas o final do ano, mas na verdade são as notícias que leio no meu cotidiano e que, muitas vezes, me deixam perplexo, sem vontade de nada. Quer entender melhor? Vamos aos fatos.

Hoje, ao acordar, acabei lendo uma matéria no “O Dia” com o seguinte título: “Grávida desaparecida na Central do Brasil é encontrada morta“. Até aí, tudo bem. Não deveria ser, mas tudo bem, tendo em vista que diariamente – infelizmente – inúmeras pessoas são assassinadas. Algo me chamou atenção e decidi ler a matéria. Rayanne Christini tinha 22 anos e estava grávida de 7 meses de seu segundo bebê. Ela saiu há 13 dias para pegar um enxoval que havia conseguido em grupo do Facebook, dado Thainá Silva Pinto de 21 anos. Ponto.

No meio do caminho, mais precisamente da Central do Brasil, Rayanne é sequestrada por Thainá e é levada para a sua casa, onde ela juntamente com o marido, tentam fazer o parto de Rayanne de forma prematura. Nem a mãe e nem a criança sobrevivem e são queimadas. Ponto novamente. A família, desesperada, começa a procurar pela grávida e encontram o celular da vítima, entram no Facebook e começam a receber inúmeras mensagens. Algumas de apoio, de pistas e outras de extremo racismo. Acreditem!

Como se já não bastasse a morte de uma mulher e de seu filho ser algo chocante, um ser humano começa a mandar mensagens com este conteúdo: “‘Esse bebêzinho não custa mais que R$ 10 mil no mercado negro. Ainda mais prematuro. O valor vai uns 15%, ou seja, vai valer no máximo R$ 8 mil. É melhor destrinchar os órgãos e vendê-los avulso. O lucro triplicaria”. Parei de ler a matéria aí.

Fechei o celular e fitei o teto, querendo encontrar algum resposta na maldade humana. Como alguém consegue tecer esse tipo de comentário diante do desespero de uma família? Como alguém pode sugerir que um recém-nascido seja vendido? Como alguém tem coragem de vender os órgãos de um bebê? Sei que tais ações acontecem com muito mais frequência do que eu possa ter conhecimento, mas não deixo de me espantar, de absorver as mazelas do mundo. Fecho os olhos e tento não pensar em mais nada. Fico em silêncio.

Retomo meu fôlego e sigo conferindo as notícias do dia. É quando me deparo com outra matéria. Dessa vez o título é: “Homem recebe autorização legal para se casar com o filho adotivo“. Evito ler os comentários por motivos óbvios. Não tenho mais estômago para ler comentários. Lembram que eu sofro? Pois é! Passei para o conteúdo. Nino e Roland são um casal homossexual há mais de 40 anos. Em 2012, Nino (79) adotou Roland (69) para que ele tivesse uma proteção legal, pois na época o casamento gay na Pensilvânia (EUA) não era legalizado.

Com a aprovação do casamento gay, o casal pediu a dissolução da adoção para quem pudessem casarl, mas a Corte americana nunca dava a devida autorização. Isso até agora! Finalmente a Justiça deu sinais de que pode sim desfazer a adoção para que ambos possam casar e assim terem todo o suporte legal. Parei novamente, respirei e pensei: “Ainda existe uma esperança”.

Não que eu seja a Madre Teresa de Calcutá ou que eu tenha a paciência e elevação espiritual de um monge budista. Não! Aliás, estou bem longe disso. Mas são ações como a do casal acima que me fazem crer que o mundo ainda têm jeito. E que esse jeito só será possível se colocarmos o amor em primeiro lugar. Portanto, quando você pedir algo para 2017, não esqueça do amor. Ele pode ajudar muito mais do que você imagina. Amor!

Jornalista, aquariano, ruivo e temperamental
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    1 Comment

    1. Mesmo não sendo um assunto bom de se abordar, seu texto é sempre maravilhoso! O certo é que o mundo precisa rever seus conceitos de humanidade, do que é a nossa essência de seres humanos. Dói muito ver tanta maldade e crueldade nos atos e ações, mas o pior ainda, é ver tanta crueldade em julgamentos virtuais. Mais amor por favor, mesmo!

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    Bruno Mazieri

    Jornalista, aquariano, ruivo e temperamental

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