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Estágios da dieta

Eita que, finalmente, arrumei um tempinho para escrever aqui. Ufa! Tava com saudades.

Pois muito que bem… Ainda pouco, lendo o livro ‘Caviar é Uma Ova’, do Gregório Duvivier (queria esse sobrenome, apesar de amar o meu), esbarrei em uma crônica maravilhosa devidamente intitulada ‘Estágios do assalto’. Nela, ele descreve como a pessoa se sente desde o momento do assalto (demência) até a ‘superação’ (pragmatismo).

Ao final do texto, pensei que a famosa dieta também possui seus estágios no ser humano normal. Leia-se normal: aqueles que sentem fome mesmo, não são ratos de academia e sofrem, muito. Decidi então criar esse post, com um assunto muito mais fútil do que o do Duvivier, mas tão importante quanto. Acreditem! Portanto, presta atenção nos 7 estágios da dieta.

Você volta daquela viagem depois de comer toda a gordura do lugar, beber toda a bebida da cidade e decide que aquela é a hora de retomar sua grande ‘inimiga’: a dieta. Você marca consulta, conta sua vida, o que gosta de comer (tudo!) e o que não gosta de comer (existe?) e a criam sua dieta.

1o Estágio – Empolgação. Ao sair da clínica, seu primeiro pensamento é: “Uhuuul… Vou emagrecer, cuidar de mim, sair do 46 para o 40, vou ter mais disposição e minha vida vai ser maravilhosa”. Inclusive sai cantando e rodando igual a Julie Andrews em ‘A Noviça Rebelde’.

2o Estágio – Determinação. Chega no supermercado, pega o carrinho e corre para onde estão os alimentos saudáveis. Pão integral, queijo integral, presunto de peito de peru, carne magra, alface, rúcula, agrião, espinafre, tomate cereja, pera, uva, maçã e salada mista. Epa, salada mista não! No caminho do caixa, você passa pela parte da panificadora e seus olhos brilham. Mas a determinação é maior e você segue seu rumo. Ainda no caminho, olha o carrinho e pensa: “Nossa, tá tudo tão verde”, e mentaliza: “É para o meu bem! Foca no manequim 40”.

3o Estágio – Iniciação. Em casa, você pega a dieta e começa a montar as refeições para a semana. Para o início da dieta. Seleciona os alimentos, pensa em como vai levar para o trabalho, para o barbeiro, para o jantar com o namorado, para o aniversário da vó, para a casa dos familiares e, na sua cabeça, tá tudo certo. Boom! Chegou o dia seguinte e tudo vai bem até a hora do almoço. Aquela comida não resolve. Fome. Água. Fome. Água. Fome. Fome. Fome. Fome. Água. Água. “É tudo para o meu bem! Auuuuum”.

4o Estágio – Derrota. Passaram dois/três dias e você ainda a se acostumar com o ‘novo’ lifestyle. O ‘teto preto’ já foi embora e você segue sua vida normal. Recebe convite para ir na casa dos parentes e pensa: “Tudo certo”. Chega lá, papo vai, papo vem, toma água, come aquela maçã e tá ali, focado. Eis que surge um patê delicioso, o patê mais lindo que você viu na vida, acompanhado de uma torta ULTRA calórica de Leite Ninho. O suor começa a escorrer, a mão treme, você levanta, anda, conversa, mas sua cabeça tá naquilo tudo. O pensamento seguinte é: “Ah, se eu comer uma colher do doce e um pouquinho de patê não vai fazer diferença”. E você come! Só que não consegue parar. Só para quando acaba tudo.

5o Estágio – Frustração. Você senta, ainda na casa do povo, e começa a se culpar por ter comido tudo aquilo. Os dias anteriores não serviram de nada. Foi tudo um fracasso. Você não merece aquelas comidas saudáveis, você não merece sair do 46 para o 40, você merece continuar sendo sedentário, se cansando fácil, tendo dificuldade em encontrar roupas que você gosta e gastando dinheiro com comida. Você diz: “Vou comer tudo mesmo! Não quero mais essa vida! Não aguento mais ser saudável! Três dias e nem emagreci nada! Quer saber? F*da-se!”.

6o Estágio – Renovação. Depois de um noite de sono conturbada, com toda a culpa na sua mente, você decide retomar a dieta. “Não, a partir de agora vai ser diferente”. E é! Os dias vão passando e você vai driblando aquele doce maravilhoso, chutando aquela coxinha crocante e recheada com requeijão, aquele hambúrguer suculento e focado na sua dieta.

7o Estágio – Consagração. Dia de ida a clínica. Chega atracado em uma maçã, fala com todos e corre para a balança. Você se pesa, emagreceu. A sensação de que uma vida mais saudável está valendo a pena não apenas por questões estéticas, mas porque você consegue subir escadas sem se cansar, consegue caminhar com mais vontade, come o suficiente para se sentir satisfeito e sai do 46 para 40. Solta o canto dos anjos e as harpas tocando lindamente! Você conseguiu. Mas lá na fundo pensa: “Depois que tudo isso passar, vou comer nem que seja um sanduíche”. Afinal, o que não mata, engorda e é uma delícia também. Até.

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