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Uma tarde no Teatro Amazonas com Cléia Viana

Depois de fazer um ‘tour’ pela exposição “Teatro Amazonas: A Glorificação das Artes” da Secretaria de Estado de Cultura (Sec), que fica aberta ao público até o dia 31 de dezembro, no Manauara Shopping – e gratuito! –, recebi a missão da minha amiga e curadora da mostra, Cléia Viana, de conhecer o símbolo maior de nossa arte de uma maneira totalmente inusitada: a partir de sua cúpula.

Mas você deve estar se perguntando: “Nossa, o Mazieri não conhecia o teatro?”. Claro que conhecia, gente! Assim como a maioria de vocês. Sabia o óbvio. Já havia feito aquele tradicional passeio, mas dessa vez foi diferente. Me senti desbravador e me transportei, por meio de suas plantas arquitetônicas, para uma Manaus antiga e um tanto quanto curiosa.

Pois bem. Esqueci o medo de altura, o calor senegalês e topei o desafio. Na última semana, devidamente acompanhado da minha amiga-curadora e do Igor Braga, que encarou a missão de ser meu fotógrafo nessa jornada, começamos o nosso passeio pela famosa cúpula. O local, pouquíssimo visitado, nos proporciona uma visão emocionante e privilegiada de Manaus.

Por meio de seus vitrais vermelhos e azuis, conseguimos observar detalhes importantes da arquitetura do teatro como, por exemplo, seu telhado, uma homenagem a bandeira do Brasil, que é todo encaixado por meio de escamas de cerâmicas esmaltadas e que contam com pouquíssimas peças para reposição. O que faz com que todo cuidado seja redobrado.

Devidamente recompostos, continuamos a minha visita-guiada, mas desta vez pela urdidura. Para quem não sabe, urdidura é a construção abaixo da cúpula que comporta os panos de boca do teatro, bem como o maquinário da cenografia dos espetáculos. E na ocasião pude conferir, do alto, toda a estrutura montada para a ópera “Onheama”, reencenada na última semana. E oh, fiquei sabendo que no próximo ano haverá Festival Amazonas de Ópera (FAO). Oba!

Cléia me confidenciou que a ideia da visitação na urdidura está prestes a se tornar realidade. O secretário de cultura Robério Braga deseja quem em 2016, quando o teatro completa 120 anos, consiga levar o público para conhecer as instalações mais antigas do prédio. Metido como sou, quero dizer que já tive esse privilégio, tá?

Por lá, vi um pano de boca do artista italiano Domenico de Angelis, que passará por um restauro realizado por profissionais devidamente capacitados pela própria secretaria. Além disso, encontram-se maquinários antigos, luminárias e, até mesmo, um cartaz do American Ballet Theater, no qual o bailarino amazonense Marcelo Mourão Gomes é o grande destaque.

Arquitetura
Finalmente chegamos a parte talvez mais importante do teatro, o mezanino do salão nobre, uma elevação que comportava a orquestra enquanto os barões da época desfrutavam de festas inesquecíveis. E é justamente neste espaço que encontra-se uma sala com um tesouro de encher os olhos: o projeto arquitetônico do Teatro Amazonas.

Dentro de gavetas que mais parecem cofres, estão guardados os desenhos do Gabinete Português de Engenharia e Arquitetura de Lisboa, responsável por conceber o teatro. Todas as plantas contendo detalhes e medidas, já passaram por restauro e contam a história do prédio.

Porém, as grandes vedetes deste acervo são os croquis do teto e do piso do salão nobre do teatro. Ambos levando a assinatura de Domencio de Angelis. Visivelmente emocionada, Cléia apresenta “A Glorificação das Artes no Amazonas” com todo o cuidado possível, orgulhosa por poder ter contato com uma relíquia extremamente importante para a nossa história.

No mesmo lugar, encontram-se cartazes de espetáculos apresentados no teatro e que, muito em breve, passarão por uma digitalização para que as gerações futuras possam estudar tipologias e outras caraterísticas de suas épocas.

E finalmente chegamos ao famoso salão nobre, parte final de nossa visita. Por lá, conferimos de pertinho todo o trabalho de decoração de De Angelis, um italiano que, certamente, marcou uma cidade. Com a alma lavada, deixei as dependências do nosso teatro – sim, nosso! – com a sensação de que muitas histórias ainda serão contadas e que sou uma pessoa de sorte, por ter tido a oportunidade ver, com estes olhos, todo um acervo histórico. Obrigado, Cléia!

 

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Vitrais azuis e vermelhos dão um colorido especial a Manaus

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Cúpula do Teatro Amazonas vista por dentro

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Cartaz do American Ballet Theater tendo como destaque o bailarino amazonense Marcelo Mourão Gomes

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Parte da planta arquitetônica original do Teatro Amazonas

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Cléia Viana com o croqui da pintura “A Glorificação das Artes no Amazonas”,

assinada e pintada no salão nobre do teatro por Domenico de Angelis

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Parte da urdidura que estará aberto para visitação a partir de 2016

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Mezanino do salão nobre: espaço no qual as orquestras ficavam enquanto os barões aproveitavam suas festas

3 respostas
  1. dorinha mourão
    dorinha mourão says:

    Deu vontade de conhecer os encantos desconhecidos do fabuloso Teatro Amazonas, já contando com esta pequena visita guiado por meio do seu texto, Bruno. Muito bom!

  2. Cleia Viana
    Cleia Viana says:

    Foi um enorme prazer fazer essa visita com vc. Estamos junyos para outros projetos. Obrigada de coração Bru!

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